SEGMUC e SESMA apresentam registros dos impactos da estiagem em Altamira durante reunião com o Ministério da Saúde
Uma parte da equipe técnica do Ministério da Saúde que está no Pará, em missão da Sala de Situação Nacional de Emergências Climáticas em Saúde, para produzir um diagnóstico situacional da região devido à seca, estiagem e queimadas, se deslocou para Altamira, a 763 km de Belém, para analisar os efeitos das mudanças climáticas no município. No local, a equipe se reuniu com as secretarias de saúde estadual e municipal, o 9º Grupamento de Bombeiros Militar, o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) de Altamira e a Defesa Civil Municipal.
"Nosso objetivo é compreender quais são as necessidades e vulnerabilidades do município, nesse momento de seca, estiagem e queimadas, para podermos criar soluções de apoio", reforça o ponto focal do Programa Nacional de Vigilância em Saúde dos Riscos Associados aos Desastres (Vigidesastres) e líder da equipe em Altamira, Lucas Fonseca.
Segundo o informe Monitoramento de queimadas para vigilância em saúde, durante a semana epidemiológica 40 (SE 40), Altamira foi um dos 44 municípios paraenses que apresentaram, por pelo menos dois dias consecutivos, níveis de concentração de material particulado fino superiores ao recomendado pelas diretrizes de qualidade do ar da Organização Mundial da Saúde (15 μg/m³), afetando mais de 110 mil pessoas. Altamira é também o segundo município com o maior número de focos de incêndio do país (5.777), ficando atrás apenas de outra cidade paraense, São Félix do Xingu (7.193), de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Em uma publicação da página @ictioxingu no Instagram, é possível visualizar o impacto e o quanto as cabeceiras dos rios estão secas. Veja o vídeo:
Além das queimadas serem um sério problema na região, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) declarou situação crítica de escassez hídrica nos principais rios de Altamira: o Rio Xingu e seu afluente, o Rio Iriri.
"Nunca tivemos uma seca tão severa como essa que estamos vivendo, e a perspectiva é que ano que vem seja pior. Por isso é muito importante a presença do Ministério no nosso território", alerta o técnico em saneamento do DSEI-Altamira, Paulo Roberto.
Segundo profissionais da saúde do município, a viagem para chegar em algumas aldeias indígenas dura cerca de 7 dias. De acordo com o DSEI, há uma população de 2.271 indígenas nas 71 aldeias de Altamira. Dessas, 19 foram diretamente impactadas, afetando cerca de 530 indígenas com problemas de falta de água potável, navegabilidade e alimentação/pesca.
As comunidades ribeirinhas que vivem nas três Reservas Extrativistas (RESEX) de Altamira — RESEX Rio Iriri, RESEX Riozinho do Anfrísio e RESEX Rio Xingu — também foram fortemente impactadas pela crise hídrica. Nelas vivem mais de 300 famílias (cerca de 1.300 pessoas) que enfrentam severas dificuldades no acesso a atendimento médico e odontológico, vacinação, medicamentos e abastecimento de alimentos.
Missão de Emergências Climáticas
A Sala de Situação, comandada pelo Departamento de Emergências em Saúde Pública do Ministério da Saúde (DEMSP), também visitará outros municípios paraenses, como Itupiranga, Marabá e Santarém. A missão é composta por técnicos da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA), Saúde Indígena (SESAI), Atenção Primária à Saúde (SAPS) e Atenção Especializada à Saúde (SAES), além de representantes da Secretaria de Saúde Pública do Pará (Sespa).
| Com informações: gov.br |
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