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Senado aprova criação da Universidade Federal do Xingu e amplia debate sobre interiorização do ensino superior na Amazônia

Projeto prevê desmembramento do campus da UFPA em Altamira e criação de uma nova universidade federal para atender a região da Transamazônica e do Xingu

Imagem meramente Ilustrativa/ Universidade Federal do Xingu -Altamira - Pará

O ensino superior público no Pará deu mais um passo rumo à expansão. A Comissão de Educação e Cultura (CE) do Senado Federal aprovou, no dia 9 de junho, o Projeto de Lei do Senado (PLS) nº 359/2017, que cria a Universidade Federal do Xingu (UFX), com sede em Altamira, no sudoeste paraense. A proposta é de autoria do ex-senador paraense Paulo Rocha (PT-PA) e recebeu parecer favorável da senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO). Agora, a matéria segue para análise da Câmara dos Deputados, caso não haja recurso para votação em plenário no Senado.

A nova instituição será criada a partir do desmembramento do Campus Universitário de Altamira da Universidade Federal do Pará (UFPA), fortalecendo a política de interiorização do ensino superior federal na Amazônia. A proposta busca conferir maior autonomia administrativa, acadêmica e financeira à unidade, permitindo a ampliação da oferta de cursos, projetos de pesquisa e ações de extensão voltadas às necessidades específicas da região.

Área de abrangência

De acordo com o projeto aprovado, a Universidade Federal do Xingu atenderá diretamente 15 municípios paraenses:

  • Altamira
  • Anapu
  • Aveiro
  • Brasil Novo
  • Gurupá
  • Itaituba
  • Jacareacanga
  • Medicilândia
  • Novo Progresso
  • Pacajá
  • Placas
  • Porto de Moz
  • Senador José Porfírio
  • Uruará
  • Vitória do Xingu

Juntos, esses municípios concentram aproximadamente 430 mil habitantes em uma área estimada em 260 mil quilômetros quadrados, extensão territorial superior à de diversos estados brasileiros.

Desafio histórico da Amazônia

A criação da UFX ocorre em um contexto de grandes desafios para a democratização do ensino superior na Amazônia. As longas distâncias entre municípios, a dependência do transporte fluvial em muitas localidades e a concentração das instituições de ensino nas capitais dificultam o acesso de milhares de estudantes às universidades públicas.

Segundo a justificativa apresentada pelo autor do projeto, a nova universidade contribuirá para ampliar as oportunidades de formação superior e produção científica em uma região marcada por características sociais, econômicas, culturais e ambientais próprias.

Durante a discussão da matéria, o senador Zequinha Marinho (Podemos-PA) destacou que as dimensões continentais do Pará exigem uma estrutura universitária mais descentralizada para atender adequadamente as diferentes regiões do estado.

Potencial para pesquisa e desenvolvimento regional

Além da ampliação de vagas no ensino superior, a futura Universidade Federal do Xingu poderá fortalecer pesquisas estratégicas relacionadas à Amazônia, especialmente nas áreas de:

  • biodiversidade;
  • manejo florestal sustentável;
  • recursos hídricos;
  • mudanças climáticas;
  • agricultura e bioeconomia;
  • mineração e energia;
  • povos indígenas e comunidades tradicionais;
  • desenvolvimento regional sustentável.

A expectativa é que a instituição se torne um importante polo de produção científica voltado aos desafios e potencialidades da região amazônica.

Expansão da rede federal no Pará

Caso seja aprovada pela Câmara dos Deputados e posteriormente sancionada pela Presidência da República, a Universidade Federal do Xingu passará a integrar a rede federal de ensino superior do Pará, ao lado de instituições como a Universidade Federal do Pará (UFPA), a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) e a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa).

A proposta reforça uma política nacional de interiorização das universidades federais, considerada fundamental para reduzir desigualdades regionais e ampliar o acesso à educação superior em áreas historicamente afastadas dos grandes centros urbanos.


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